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Cultura DIA DO ARTESÃO

Artesanato movimenta economia e preserva identidades culturais no Tocantins

Com mais de 3 mil profissionais cadastrados e milhões em negócios gerados, setor cresce entre tradição, desafios e novas oportunidades de mercado.

20/03/2026 às 10h31
Por: Redação Fonte: Redação | Combinado Notícias
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Peças em capim-dourado produzidas na comunidade quilombola Mumbuca, no Jalapão, técnica tradicional costurada com seda de buriti e reconhecida como símbolo do artesanato tocantinense - Foto: Kadu Souza/Governo do Tocantins
Peças em capim-dourado produzidas na comunidade quilombola Mumbuca, no Jalapão, técnica tradicional costurada com seda de buriti e reconhecida como símbolo do artesanato tocantinense - Foto: Kadu Souza/Governo do Tocantins

No Tocantins, o artesanato é mais do que expressão cultural: é fonte de renda, memória coletiva e alternativa econômica para milhares de famílias. No Dia do Artesão, celebrado em 19 de março, a atividade ganha visibilidade não apenas pelo seu valor simbólico, mas também pelo impacto financeiro que vem acumulando nos últimos anos.

Entre 2023 e 2025, artesãos do estado participaram de feiras nacionais e movimentaram aproximadamente R$ 2,2 milhões em negócios, considerando vendas diretas e encomendas. Os números revelam o potencial do setor, que aos poucos amplia sua presença em mercados fora do estado e conquista novos públicos.

Atualmente, mais de 3 mil profissionais estão cadastrados em sistemas oficiais, o que garante acesso a políticas públicas e oportunidades comerciais. Ainda assim, a realidade de muitos trabalhadores é marcada por instabilidade e dependência de eventos e feiras para garantir renda.

Tradição que gera sustento

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Em diferentes regiões do estado, o artesanato traduz modos de vida e relações com o território. No Jalapão, o capim-dourado é transformado em bolsas, biojoias e utensílios, sendo um dos principais símbolos da produção local. A técnica, transmitida há gerações, tem origem em comunidades quilombolas e combina conhecimento tradicional com inovação.

No extremo norte, a cadeia do babaçu sustenta a produção de peças decorativas e utilitárias, enquanto o buriti oferece matéria-prima versátil para diferentes tipos de artesanato. Já em Natividade, a delicada técnica da filigrana mantém viva uma herança do período colonial, com joias produzidas a partir de fios finos de ouro.

Em municípios como Porto Nacional, o trabalho com madeira também se destaca. Artesãos produzem móveis e objetos a partir de recursos do Cerrado, muitas vezes em processos que envolvem toda a família e atravessam gerações.

Conhecimento que resiste ao tempo

A transmissão de saberes é uma das bases do artesanato tocantinense. Em muitas comunidades, o aprendizado acontece dentro de casa, com pais e avós ensinando técnicas aos mais jovens. No entanto, esse ciclo enfrenta desafios, como o desinteresse de novas gerações e a busca por outras fontes de renda.

Outro obstáculo é a preservação da memória. Por serem feitas de materiais naturais e, muitas vezes, frágeis, as peças não resistem ao tempo. Isso torna essencial o registro das histórias e dos processos de produção, garantindo que o conhecimento não desapareça.

Iniciativas de documentação audiovisual têm contribuído para esse processo, registrando trajetórias de mestres artesãos e valorizando o patrimônio imaterial do estado.

Cultura, identidade e economia

Entre povos indígenas e comunidades quilombolas, o artesanato ocupa um papel ainda mais amplo. Mais do que atividade econômica, ele está ligado à identidade, à espiritualidade e à organização social.

Povos como Karajá, Xerente e Krahô mantêm tradições que incluem cerâmica, cestaria e produção de adornos. As bonecas Ritxoko, por exemplo, são reconhecidas como patrimônio cultural brasileiro e representam cenas do cotidiano e elementos da natureza, funcionando como instrumento de transmissão de conhecimento.

Esse conjunto de práticas reforça o papel do artesanato como parte da economia criativa, setor que vem ganhando espaço no Brasil por valorizar produtos com identidade cultural e produção sustentável.

Entre avanços e desafios

Apesar do crescimento, o setor ainda enfrenta limitações. O acesso a mercados continua sendo um dos principais entraves, especialmente para artesãos que vivem em regiões mais isoladas. A dependência de políticas públicas e de eventos específicos também evidencia a necessidade de maior estruturação da cadeia produtiva.

Por outro lado, o aumento do interesse por produtos artesanais e sustentáveis abre novas possibilidades. O reconhecimento cultural e a valorização do feito à mão têm impulsionado o artesanato para além das fronteiras regionais.

No Tocantins, o desafio é equilibrar tradição e inovação. Enquanto preserva saberes ancestrais, o setor busca se adaptar às novas dinâmicas de mercado para garantir renda, visibilidade e continuidade a uma atividade que traduz, em cada peça, a identidade de um povo.

 

Reportagem: Patrícia Alves / Combinado Notícias

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